13. A tropa
O rio era veloz e turbulento, e foi me arrastando com fúria até umas pedras em uma curva funda. Bati o quadril em uma rocha e senti um calafrio estranho. O sangue se dissolvia na água. Uma cachoeira, de uns dois metros de altura, me tragou para o fundo. No meio da turbulência, bati meu pulso em alguma pedra. Aquilo doeu muito.
Assim que cheguei à beira, com muito esforço saí do rio. Os soldados não me perseguiram, e eu me acalmei. Assim que me dei conta do que havia feito, comecei a assistir meus pensamentos conflitarem. Por um lado, eu pensava “matei um homem!” mas daí um pensamento se sobrepunha aos outros, ganhando espaço com a ideia de “eles me atacaram primeiro!”. Esse conflito me tomou um bom tempo. Por fim, decidi parar de pensar naquilo.
A noite já começava a dominar a paisagem, e tratei de me esconder no alto de uma árvore. Não acendi fogueira para evitar ser visto. Comi uma parca porção de pepinos – logo teria de começar a racionar- e meia barra de cereis. Esperimentei um pedaço de cobra crua, mas cuspi tudo pois era muito ruim. Eu estava tão exausto que dormi logo, mas não sem antes dar um jeito nos meus ferimentos.
A noite passou rápido, e o dia logo chegou. De cima da árvore ouvi uma voz grave e retumbante, que acabou por me despertar. Espiei por entre os galhos, e lá em baixo avistei uma tropa que se aproximava. Encolhi entre as folhas escondendo-me ainda mais, e esperei a tropa passar.
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